17 de julho de 2006

madrugada


Madrugada I


Ela acordava na madrugada

e sabia

Que a página estava repleta de pontos

Era preciso alguma solidão

Para ver naquilo

espaços, parênteses, vírgulas,

memórias.


Madrugada II

De canto ao outro desconfiava de algum movimento.

A rua
pontuava
grandes monstros modernos.

Nenhuma
interjeição se fazia.

A escrita vinha
Como
em
tra
vessas.

Não era o vazio.

Crescia a cidade
Sup
Er povoada.

4 comentários:

V. disse...

aê! ela está de volta!

bonitíssimos versos, moça-diferente

Gil Maulin disse...

a moça continua diferente...

murilov disse...

o que não ´da é pra ficar indiferente a essa moça

(meu dues, essa foi infame demais!!!!)

m.davi disse...

Já que "a intimidade é uma merda" mesmo, então me dirijirei a você (professora - pra não perder o respeito) como C., assim como se identifica aqui neste espaço.
Precisei escrever-te porque não pude, e não sei porque, te falar o que eu queria falar ontem. O que eu senti neste ultimo mês de férias e me fez despedaçado, em vezes nem sabia se estava. Não pude gritar pra toda sala a dor que senti em me deparar com a verdadeira face desse seu dto. (penal) que eu não sabia, na pele, como se transparecia.
Animais enjaulados, porcos, desgraçados. Sim. Desgraçados. Poque toda a teoria não cabia na realidade, não cabe, não me cabe! C., como falar de um dto. penal mais humanitário nas reais condições do sistema penal? Eu não consigo - nem sei se posso mais poder gritar - falar nesses princípios todos depois de tudo o que vi e senti... não posso!
Acho que tudo o que estou te dizendo (se vc ler) não é novidade, não? Não sei o que se passa pela sua cabeça no momento de aula, passando a teoria do dto. penal ... Se vc está mentindo, "viajando", se está numa neurose ... não sei. Porém sei que vc sabe, disso eu sei, que vc sabe da pior face do dto., onde tudo o que se esconde nas outras áreas se esternaliza ali.
Se é essa a realidade que me espera será difícil conStrir uma casa em cima dela, sobre a desgraça, a tristeza. Será que é possível? Talves seja...
Estou de mãos atadas e nem sei o que fazer, se é que posso fazer algo para mudar isso... continuar deve ser triste!
Essa é a minha tristeza.