27 de maio de 2006

paisagem da paisagem



A maioria já sabe que eu tenho um desejo. Aliás, um desejo que se desdobra em três:
1 - acreditar em vida após a morte;
2 - acreditar em reencarnação;
3 - em reencarnando, ser uma vaca na próxima vida (e muito de preferência, ser vaca na India....rs)
Quanta placidez há nos olhos da vaca e quanto falta no meu. quanto olhar a paisagem e estar se sendo, que me foge no dia a dia. Mas enquanto isto não acontece, drummond andou dizendo que se pode ser a paisagem das coisas, a própria paisagem da vaca, ser por ela contemplado através de pensamento de paisagem, refeita, forte, mais existente que a gente.

(...) Abrir porteira. Range. Indiferente.
Uma vaca-silêncio. Nem a olho.
Um dia este silêncio-vaca, este ranger
baterão em mim, perfeitos,
existentes de frente,
de costas, de perfil,
tangibilíssimos. Alguém pergunta ao lado:
O que há com você?
E não há nada
senão o som porteira, a vaca silenciosa.
Paisagens, país
feito de pensamento da paisagem,
na criativa distância espacitempo,
à margem das gravuras, documentos,
quando as coisas existem com violência
mais do que existimos: nos povoam
e nos olham, nos fixam. Contemplados,
submissos, delas somos pasto,
somos a paisagem da paisagem.
(paisagem: como se faz. carlos drummond)

2 comentários:

murilov disse...

só pra avisar
não é tão fácil assim ser vaca na índia,
eles não matam, não comem...mas as vacas apanham sem cerimônia


boa sorte na tua ruminosa vida

Anônimo disse...

oi!
to precisando desse poema do drumond. mas não o acho na integra... tu tens para me mandar?
valeu.
denise
denisegrafias@yahoo.com.br