10 de maio de 2006

colo de mãe

(foto do dia das crianças de out/1985)
Outro fim de tarde. Chuvoso. Muita neblina e nenhum horizonte. Um frio que fazia falta - eu que sou do calor. E esse fim de tarde é outro. A volta de escola e o início das férias escolares. Jogar a mala na porta de casa e aposentar (com a certeza de ser usado no outro ano) o uniforme. Ficar até mais tarde na rua, fazendo guerra de coquinho (isso a gente já aprendia), brincando de esconde, brigando e fazendo as pazes. Discutindo com Felipe pra saber quem ia antes pro chuveiro. Pra quem fosse, a brincadeira acabava mais cedo. Suco de laranja depois da escola. Ou piquenique no quintal. Sentada na pedra minúscula, pintada pra filha mais nova. Cheiro de chão encerado, enquanto a mãe saía de casa. Lição de casa feita no sábado cedo. E e o resto do dia pra conquistar. Ansiedade enquanto os primos não chegavam pra folia se completar. Sentar no sol depois do almoço enquanto o pai tomava café. Castigo no quarto. Janela pra pular. Árvore pra subir. Pedestres pra incomodar. Cachorro pra esperar na porta enquanto a escola não terminava. Cachorro grande pra brincar de cavalo e fingir de morto. Protesto pra ir ao clube. Caderno de educação artística sempre rasgado na fúria do despreparo. Domingo de noite e o churrasco requentado enquanto os adultos conversavam na cozinha. Noite pra dormir antes das aulas começarem. Cheiro de colo de mãe. Estado de filha que não precisa pedir afago. Algum horizonte incerto. Ainda os sonhos eram de brincadeiras. Mais fortes e mais curtos. Não exigiam qualquer aparência de força. Não exigiam qualquer aparência. Tinha lá meus problemas. Mas sabia como brincar com eles.

Um comentário:

Cacá disse...

Hoje, qdo vem o frio, na hora do almoço olho lá fora e vejo o sol... o q mais lembro é da disputa por "um lugar ao sol" depois de almoçar, enqto o pai tomava café.
Tanta saudade!!!!!